TravelVince News #50
Em banho-maria | Slow-cooked me
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Nunca pensei que poderia morrer de calor*. Talvez queimado numa fogueira, herege que sou. Mas ser cozinhado aos poucos, como os tais sapos na panela de água fervente, jamais. Passei boa parte da onda de calor que assolou a França dentro de casa para não virar churrasco do aquecimento global. Por sorte, o apartamento dos meus amigos em Paris tem climatização, algo que é quase tabu na Europa pseudoecológica. Saía de casa bem cedinho para correr antes de o termômetro passar dos 30 graus.
Antes de voltar para o apartamento, eu me sentava debaixo das árvores para baixar a frequência cardíaca e curtir Paris, morrendo de inveja das crianças, de cueca, se esbaldando nas fontes de água. O calor era tanto que a cara, a cabeça e até os ossos começavam a ferver. Com tanto suor, parecia que eu estava cozinhando em banho-maria. Quando entrava no ambiente climatizado, quase chorava de prazer (e de choque térmico).
Agora estou na Polônia, país que visitei bem rapidinho há 25 anos. Preferi vir para a Varsóvia temperada a encarar Roma, Madri ou Barcelona infernais. Mas sabe quem também está aqui? A onda de calor. Tem polonês desmaiando na rua, e nem os passarinhos estão voando. Encontro-me outra vez refugiado num apartamento climatizado, torcendo para chover, para nevar, para sei lá o quê. Fazer turismo com 40 graus e sol a pino não é para mim. Derreto igual Chicabon.
Também estou refugiado da língua. Até chinês eu falo e entendo melhor do que polonês. Ser um visitante analfabeto é divertido até certo ponto. Juro que faço um esforço tremendo para tentar decifrar os emaranhados de consoantes em cada palavra. Dou-me por vencido no segundo “z”, tipo szczebrzeszynie, ou quando aparecem uns acentos que cortam as letras no meio, tipo espada, e umas cedilhas penduradas nas vogais, como em gżegżółka ou chrząszcz.
Estou curioso para saber como serão os próximos dias. Quando a temperatura baixar, saio da toca e, na próxima newsletter, mando as fotos. Quero apertar o “enviar” aqui antes de junho acabar.
*sim, é possível morrer de calor, infelizmente.
🇬🇧 I never thought I could die of heatstroke. Maybe burned at the stake, considering how heretic I am. But being slowly cooked alive, like those proverbial frogs in a pot of boiling water? Never.
I spent much of the heatwave that swept across France indoors to avoid becoming another victim of global warming. Luckily, my friends’ apartment in Paris has air conditioning—something that’s still almost taboo in Europe’s pseudo-ecological mindset. I left the house early every morning to go for a run before the temperature climbed above 30°C (86°F).
Before heading back, I’d sit under the trees to let my heart rate come down and simply enjoy Paris, feeling envious of the children, wearing nothing but their underwear, splashing around in the fountains. It was so hot that my face, my head, even my bones felt like they were boiling. With all that sweat, I felt as if I were being cooked in a bain-marie. Every time I stepped back into the air-conditioned apartment, I was almost moved to tears—with relief as much as from the thermal shock.
Now I’m in Poland, a country I visited briefly 25 years ago. I chose mild Warsaw over the infernos of Rome, Madrid or Barcelona. But guess what followed me here? The heatwave. People are fainting in the streets, and even the birds have stopped flying. Once again, I find myself taking refuge in an air-conditioned apartment, hoping for rain, snow—anything, really. Sightseeing in 40°C (104°F) heat under a blazing sun is simply not for me. I melt like an ice cream bar.
Another issue here is the language. I speak and understand Chinese far better than Polish. Being an illiterate visitor is amusing—up to a point. I swear I make a heroic effort to decipher the tangled clusters of consonants in every word. I usually surrender at the second “z”, with names like szczebrzeszynie, or when I run into letters slashed by mysterious accents and little hooks hanging from the vowels, in words like gżegżółka or chrząszcz.
I’m curious to see what the next few days will bring. Once the temperature drops, I’ll finally come out of hiding, and I’ll send the photos in my next newsletter. For now, I just want to hit “Send” before June comes to an end.





Esse inferverão europeu está uma loucura!! Muita água e passeios noturnos para fugir do sol e parar de derreter kkkkk